Bernardo Palissy

23 dicembre 2009

Vulto sublime sempre na memória,
Herói tu foste nas Artes e na Ciência;
Alcançaste da vida excelça glória
Como exemplo de esforço e paciência.

Humilde e pobre; dedicado e crente,
Como operário escrevias tua história,
Deixando em lindo vaso refulgente
O símbolo da dor e da vitória.

Foi o milagre da transformação
Que tu bem viste na fornalha ardente:
E dominado de funda obsessão
Alcançaste o almejado, de repente.

Falsário, feiticeiro, alguém dizia,
Ao ver-te pelas ruas da cidade;
E encurvado teu vulto além seguia,
Em direção da imensa claridade.

O que tinhas queimaste num só dia;
Oh! … louco estavas, de paixão candente;
Do pobre lar sem pão, sem alegria
FEres o coração profundamente.

No momento em que querem enclausurar-te
Belo esmalte apresenta-se brilhante!
Grito unânime aplaude simples arte!
-Vás cantando, vás choranto triunfantemente.

O destino do barro tu tiveste.
O martir da impiedosa Inquisição;
Na Bastilha, com fé também venceste
E em teu corpo haverá transformação.

Surge o esmalte da glória sempiterna
Que te envolve em auréola refulgente;
Alcançaste, ó herói, a vida eterna;
Gozo e paz tu terás com o Deus Clemente!

(Rio, 27.01.1945)

Rosa Impura

23 dicembre 2009

Tu tens o nome de Rosa
Mas tu és simples mulher;
Impura, falsa, vaidosa,
Por isso ninguém te quer.

Quisera ver-te tão pura
Como a luz do rossicler;
Na face a doce ternura
Como da rosa, ó mulher.

Tenho em minh’alma a amargura
Pois nem és rosa ou mulher
Tu tens sinais de loucura …
Te chamarei Malmequer …

Maldizendo a desventura
Um dia quando morreres,
Uma pobre sepultura
Receberás; é o que queres …

Adeus de Mãe

23 dicembre 2009

Para o dia das mães

Ei-la no esquife deitada,
Vestida e já preparada
Para a viagem final;
Dizer, parece, baixinho
Com aquele doce carinho
De um coração maternal: -

“Adeus, ó filhos queridos,
Não fiqueis tão comovidos
Com este golpe fatal;
Almejo a vossa venutra
Neste mundo de amargura
Gozando a paz divinal.

“Cumpri a minha missão
Com toda dedicação.
E o que me resta, afinal,
É a mais bela morada
Que está no céu preparada
Para uma vida imortal!

“Buscai de Cristo o exemplo;
Não abandoneis o seu Templo,
Tendo uma vida real;
Sede no mundo bons crentes,
Vivendo sempre contentes
Em comunhão fraternal!”
………………………..
Voltando do Cemitério
Depois de um ato tão sério
Vazio encontram seu lar;
Foi-se embora a mãe querida,
Não mais verão nesta vida
Mas querem com ela estar …

Dizia a pobre irmãzinha: =
“Adeus, adeus ó m~ezinha
Não sei como hei de passar;
Bem quisera estar contigo
Tendo de Deus o abrigo,
Indo nos céus habitar!

Não posso, ó Deus, suportar
Este tão triste penar
Desta mãezinha perder!”
Era de uma outra criança
A voz, em terna lembrança,
Daquela que a viu nascer.

Fala Pedrinho às irmãs: -
“Melhor que todas as mães
É Jesus nosso Senhor,
A todos Ele bem diz: -
- “Quem crê em mim é feliz
Não tem tristezas, nem dor”.

E aquele lar desolado,
Sentindo-se abandonado
Recebe o Consolador;
E na mais santa alegria
Ao raiar de um novo dia
Reina paz, vida e amor.

Morte Feliz

14 dicembre 2009

(O morrer é lucro)

Quando me virdes no caixão funéreo
Na placidez que ao rosto a morte grava
Sabei que desvendou-se esse mistério
Que, sonhando, minh’alma acalentava.

E na mudez de um triste cemitério
No sossegado leito que se escava
Repousará o corpo deletério
Que o espírito imortal enclausurava.

E vós os que ficardes neste mundo
Mesmo caminho seguireis, por certo!
………………………………………….
Não temais, pois, ó pobre moribundo

Se, crendo em Cristo, dEle estareis perto.
Gozando plena paz, amor profundo,
Sem desenganos de um viver incerto!

A Ostra

9 dicembre 2009

Em seu perpétuo degredo,
Encrustada em um rochedo
Naquele revolto mar,
Vivia mísera ostra
Embuçada em sua crosta,
A suspirar …

Com os olhos no firmamento
Sem ter descanso um momento
Desejava lá estar.
-”Meu Deus, que lugar tão bonito
Para este pobre proscrito
Ali sonhar …

Queria ser uma estrela
Ou, senão, ao menos tê-la
Junto de mim a brilhar;
Bem vês que sou infeliz
Vivendo neste país
Sempre a chorar….”

E a ostra, tão asquerosa
Vendo uma estrela formosa,
Caindo do céu no mar;
As conclhas cerra depressa
Talvez ouvindo a promessa;
-”Hás de alcançar!.

E que surpresa agradável
Em certa noite adorável
Pode o molusco gosar,
Tendo uma pérola ao seu lado
Supremo bem almejado
Para adornar!
…………………………………..
Eu vivo no “ostracismo”
A beira de um grande abismo
Tristemente a meditar: -
-”Quem me dra ser estrela
Ou junto de mim eu vê-la
A rebrilhar …”

No negro mar em tumulto
Deste mundo vejo o vulto
De um grande astro a brilhar
É Cristo, o Filho de Deus,
Que bem ao lado dos seus
Vem habitar!

E neste vil coração
Que bate em triste prisão
A pérola vem se formar;
Para num dia vindouro
A sua coroa de ouro
Também ornar!

O Jasmim apaixonado

9 dicembre 2009

Um dia falava a rosa
A um mimoso Jasimim: -

-”Te vejo tão pequenino,
Pareces mesmo um menino,
Não te apaixones por mim….
Me visto de várias cores,
Sou a rainha das flores,
Todos suspiram por mim:
Distilo doces odores,
Que falam dos meu amores,
Suspiros de Querubim!

-”REsponde, ó rosa querida,
Já que tu amas a vida
-Quem foi que te fez assim?!
Não seria, porventura,
Esse Deus que é Formosura,
Que fez também o jasmim?
Não sejas, pois, orgulhosa,
Lembra-te, ó flor vaidosa
Que o SER que te fez, fez a mim.

E qual será tua sorte
Logo que o sôpro da morte
Passe por este jardim?

Terás encima da cova
Uma coroa, que prova
Ter sido feita por mim?”
…………………………..
/e das pétalas da rosa
Branca lágrima serena
Deslisa bem vagarosa,
Cheia de amor e de pena? ….
……………………………
E ficará na memória
Esta tristíssima história
Do desprezado jasmim …

(Rio, 1957)

Mocidade e Velhice

9 dicembre 2009

(O Viver é Cristo)

Lentamente esvai-se a Juventude,
Rósea quadra ao despontar da vida! …
Passam anos, depois … a plenitude
Na esperança de uma nova lida!

Na refrega, a fronte encanecida
Da canseira de um viver tão rude,
Jamais deixa aquela voz querida
Que coragem deu, paz e virtude.

Voz do Céu, é a voz do Bom Pastor.
Que ainda clama cheia de ternura:
- “Vinde a mim, ó vinde pecador”.

Só assim vós tereis doce Ventura
De sentir bem perto Santo Amor
Na beleza de uma Vida Pura!

(Rio, 1957)

Pedra do Caminho

9 dicembre 2009

Pedra do Caminho …
De onde vens? Para onde vais?
Qual o teu destino?
Quero cantar-te um hino
E nada mais!

Pedra do Caminho …
Com que sonhas
Nessa tua soledade?
Com águias ou cegonhas
Que vivem em liberdade? …
………………………………………
No silêncio da tarde,
Quese que ao Sol posto,
Aquela Pedra tomo por encosto.
Reclino a cabeça
Para que adormeça;
(E que o vulto vaporoso de Morfeu
Em seu braço delicado me envolveu)
E à sombra mística do arvoredo
Espero descobrir o seu segredo!

Como Jacó, dormindo no deserto,
Também vejo, ali tão perto,
Uma Estrada que do Eden
Surge resplendente
A luz do olhar de Deus Onipotente

E a Pedro do Caminho
Nas mãos do Criador
Torna-se em esqueleto,
Depois em homem feito
A imagem do Senhor;
Como nas mãos da aurora
Do barro a linda flor
A luz dos céus aflora
Exalando o seu odor.

És minha irmã; e mãe querida,
De ti procede a minha vida;
E a essência do meu ser
Em ti eternamente há de viver!

Perpetuam-se heróis e deuses na escultura,
Tornando-se imortais@
E revela por séculos e milênios
A inspiração dos gênios
Que, em figura,
Fazem das pedras seres racionais!

Ao lado de Aristóteles e Platão
Surge o enigma da Pedra Filosofal;
São da mística estirpe de Adão
Perscrutando o mistério universal!

E no meu sonho, a Pedra abandonada,
Atravessando a longa Estrada …
Traz-me à memória
Toda a sua história
Que deve ser contata!
Nela o gênio universal existe
Gravando nas inscrições hieroglíficas,
Que nos falam de culturas magníficas
De outros povos e nações.
E no Sinai escreve Deus os mandamentos
Com fogo, que dissolve os elementos
Para gravar nos pétreos corações!

E nos tempos atuais,
Que vemos? Cidades colossais
Com suas construções modernas,
Muito diferentes das cAvernas,
Onde se acoitam ferozes animais!
Mas nessas construções de Pedra
De nossa civilização

Ainda ruge, ainda medra, -
O ódio, o vício, a dor, a maldição!
E o homem educado, inteligente,
REcusa, infelizmente,
De Deus a lei a mai … o seu Perdão
Que só por Cristo, aRocha Secular,
Pode o arrependido pela paz gozar

E a Pedro do Caminho
Contou-me em sonho, ali sozinhoa
Ta a sua encantadora anùncio

E agora vejo-a à beira da estrada
De espinhos e rosas coroada
Em sua eterna glória!

Iracema

9 dicembre 2009

Quem te visse, Iracema, como outrora
Tão gentil de aspecto e formsura,
Nas faces o rubor da aurora
E nos olhos das pombas a ternura.

Sentiria amor que inda perdura
E que vai suspirando pela flora
Como um ser invisível que procura
Linda imagem de rústica senhora …

Flores, aves, insetos, tudo chora
Não se ouve nem mais na mata voz tão pura
E as lágrimas como rios vão se embora,
Buscando no Oceano a sepultura …

Palmeira Imperial

9 dicembre 2009

Dedicada ao I.B.P.

Palmeira imperial, a mais vistosa
Que se ergue para o Céu, tão sobranceira,
É de todas, eu creio, a mais formosa
Com sua abundante e bela cabeleira.

Esbelta, retilínea, bem-ditosa
É, por certo, da Flora uma bandeira,
Que avulta desta vida tormentosa
Para ser anjo de paz, voz mensageira.

Buscando o Sol, o Luminar do Templo,
Com o ideal de um grande coração
A todos deixa edificante exemplo

De firmeza, candura e retidão!
………………………………………….
Outra, porém, com mais prazer contemplo: -
O Cristo-Rei, Bandeira e Proteção!


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