Vulto sublime sempre na memória,
Herói tu foste nas Artes e na Ciência;
Alcançaste da vida excelça glória
Como exemplo de esforço e paciência.
Humilde e pobre; dedicado e crente,
Como operário escrevias tua história,
Deixando em lindo vaso refulgente
O símbolo da dor e da vitória.
Foi o milagre da transformação
Que tu bem viste na fornalha ardente:
E dominado de funda obsessão
Alcançaste o almejado, de repente.
Falsário, feiticeiro, alguém dizia,
Ao ver-te pelas ruas da cidade;
E encurvado teu vulto além seguia,
Em direção da imensa claridade.
O que tinhas queimaste num só dia;
Oh! … louco estavas, de paixão candente;
Do pobre lar sem pão, sem alegria
FEres o coração profundamente.
No momento em que querem enclausurar-te
Belo esmalte apresenta-se brilhante!
Grito unânime aplaude simples arte!
-Vás cantando, vás choranto triunfantemente.
O destino do barro tu tiveste.
O martir da impiedosa Inquisição;
Na Bastilha, com fé também venceste
E em teu corpo haverá transformação.
Surge o esmalte da glória sempiterna
Que te envolve em auréola refulgente;
Alcançaste, ó herói, a vida eterna;
Gozo e paz tu terás com o Deus Clemente!
(Rio, 27.01.1945)